AVENTURA NOS CAMINHOS DE SANTIAGO

 

... caminho Inglês em Btt

PEREGRINAÇÃO EM BTT A SANTIAGO DE COMPOSTELA

(DE COVAS - FERROL - A SANTIAGO DE COMPOSTELA)

 

RELATO DAS JORNADAS

 

1º Dia - 28 de Agosto de 2010

12h10 - A caminho de Ferrol!


Depois das grandes dificuldades vividas para conseguir fazer esta actividade finalmente lá íamos a caminho da Coruña com destino ao Ferrol!

Chegámos ao Ferrol já pelo final da tarde. A estação pequena e quase vazia indiciava alguma desertificação e pequenez da cidade, facto que não se veio a confirmar mais tarde.

Em volta da estação nada se via e apenas conseguimos apurar que nos deveríamos dirigir ao porto onde se encontrava o Posto de Turismo para aí obtermos a informação desejada.

Montámos as bicicletas, acomodámos os alforges e a restante bagagem e partimos em direcção ao centro da cidade, onde bebemos uma cervejola e pedimos algumas informações. Depois fomos em busca do Posto de Turismo que encontrámos junto ao porto, um local bonito com uma base naval e marinas.

No Turismo fomos muito bem recebidos e obtivemos as informações desejadas, entre elas a da existência de um albergue em Covas, uma pequena povoação a 8 Km do Ferrol. Como tínhamos as bicicletas fomos a pedalar até lá, o que se tornou um excelente treino dado que a subida principal tem cerca de 5 Km de distância e apresenta alguma inclinação.

Finalmente pedalávamos, o que a mim me soube muito bem!

Chegados ao albergue, fomos recebidos pelos responsáveis do mesmo de uma forma fantástica, colocando à nossa disposição todos os meios que este tinha e permitindo-nos ficar por lá os dias que quiséssemos.

Por sugestão deles decidimos ir fazer, no dia seguinte, o caminho pela costa e regressar novamente ao albergue para pernoitar.

Fomos então jantar na vila e ficámos a saber que existe uma comunidade de portugueses bastante numerosa, bem inserida e conceituada naquela zona.

No regresso ao albergue encontrámos um grupo grande de peregrinos portugueses, também lá alojados, que entretanto já sabiam da nossa desventura com os bilhetes e comboios e com quem estabelecemos contacto.

 

2º Dia - 29 de Agosto de 2010

Pela costa de Covas e Ferrol!

Saímos cedo do albergue e começámos a contornar a costa passando por praias de água límpida e mantendo durante esta fase do passeio o mar à vista. Penso que este trilho marcado com as setas amarelas coincide em parte com o chamado "Camiño de Teixido" uma antiga peregrinação ao Santuário de Santo André de Teixido.

Iniciámos depois um conjunto de subidas que nos levaram para o interior afastando-nos, assim, um pouco da costa até regressarmos à mesma no canal que vai dar ao Ferrol. Nesta parte foi possível ver e visitar algumas velhas fortalezas que em tempos defendiam as costas e a entrada do porto da cidade.

O trilho acabou por nos levar até à cidade onde acabámos por percorrer os velhos bairros para visitar e fotografar algum património arquitectónico, religioso e histórico, partindo de seguida pela estrada já nossa conhecida até ao albergue.

Ao chegar a Cobas, depois da árdua e longa subida e com 42 Km nas pernas sentei-me num café a beber uma "canha" enquanto aguardava que o Amaral chegasse para me acompanhar em tão árdua tarefa.

A restante parte do dia dedicámo-la à preparação dos materiais e ao descanso.

No dia seguinte seria a nossa partida para o Caminho Inglês.

 

3º Dia - 30 de Agosto de 2010

Início do Caminho Inglês!

Iniciámos bem cedo também com uma boa subida o regresso ao Ferrol onde posámos junto do marco que indica o início do Caminho Inglês e daí partimos seguindo os sinais pelas ruelas da cidade. Alguma dificuldade num ou outro ponto em encontrar os sinais mas pouco tempo depois saíamos do Ferrol.

A primeira parte do percurso contorna a Ria de Ferrol até Neda. Parámos junto ao albergue local e daí seguimos até Fene afastando-nos da ria. Mais tarde voltámos a ter a ria como companheira, desta vez a Ria de Ares, atravessando-a em Pontedeume, através da sua enorme ponte em arcos.

Dentro desta povoação iniciámos uma das maiores subidas desta etapa através das suas ruelas intermináveis e com uma inclinação muito considerável. Cruzámo-nos aí com o grupo de portugueses que tinha partido do albergue no dia anterior.

Após a subida continuámos em direcção a Miño, localidade do próximo albergue.

Trilho após trilho fomos andando até passarmos sobre a auto-estrada e em seguida apanharmos um longo estradão com uma inclinação elevada que nos fez desmontar e empurrar as bicicletas carregadas até ao seu ponto mais alto.

Até ao albergue nada mais a assinalar, somando na viagem 50 km de boas pedaladas. Chegados e garantido o lugar no mesmo, fomos tomar um bom banho, lavar as roupas suadas e sujas e partimos em busca do almoço merecido. E nada como uns chipirones (lulas) e pulpo (polvo) muito bem regado com umas belas e geladas "canhas" (cervejas).

Após algumas horas de descanso voltámos a sair para jantar. Comemos umas massas e matámos a sede, que era muita!

Regressados ao albergue, fomos tratar do material para a etapa seguinte e descansar, que a noite nestas venturas, é sempre curta!

 

4º Dia - 31 de Agosto de 2010

Do Miño a Bruma!

Fomos os últimos a sair do albergue. Os caminheiros já tinham saído todos e betetistas neste caminho éramos apenas nós os dois.

Passámos o primeiro peregrino, uma jovem espanhola, logo junto à Ponte do Porco e a partir daí começaram as subidas que, de maior ou menor inclinação, se sucediam umas às outras.

Nesta parte do percurso as descidas eram poucas e curtas e em plano também não muitos km's. As subidas eram permanentes e as pernas começavam a ressentir-se.

Aos 28 Km's da etapa passámos o último dos peregrinos que connosco partilharam o albergue de Miño, um agricultor italiano a quem apelidámos de "Ferrari" dado o andamento que impunha.

À distância de uns 2 ou 3 Km's mais à frente, encontrámos uma enorme rampa para vencer, que começava em alcatrão e depois passava a terra batida.

Consegui vencer as duas primeiras etapas mas quando pensava ter terminado vi a indicação do caminho a apontar para um estradão mais estreito e ainda mais inclinado. Parei para comer qualquer coisa enquanto aguardava a chegada do meu companheiro de aventuras. Ainda tentei iniciar este estradão em cima da bicicleta mas a roda da frente levantou e tive que apear.

Foi uma eternidade a empurrar a bicicleta pelo longo e inclinado caminho! Ficámos mais tarde a saber que o mesmo tem cerca de 3 km's de subida constante e íngreme. No final deste percurso e já em terreno plano, encontrámos uma fonte onde aproveitámos para descansar e beber água. Durante o descanso fomos ultrapassados pelo nosso amigo italiano que deve ter feito a subida a acelerar. Ao ver-nos acenou e aproveitou para nos fotografar à sua passagem.

Continuámos então até ao albergue de Bruma passando novamente o italiano e mais uns peregrinos.

Depois do banho tomado e das roupas lavadas fomos até a uma estação de serviço perto para almoçar. Pudemos aí beber cerveja portuguesa à pressão. Maravilha!

Regressámos ao albergue e fomos assistindo à chegada dos vários peregrinos exaustos. Para aqueles que fizeram a ligação entre Miño e Bruma, esta etapa foi demasiado dura. Os 40 Km's do caminho para quem o faz a pé são longos e o seu relevo, maioritariamente ascendente, torna a etapa penosa. Com as bicicletas faz-se muito melhor, embora seja uma etapa dura.

O albergue encheu e alguns peregrinos que iam chegando exaustos tiveram que ir para um pavilhão a 2,5 km's de distância (em Mesón do Vento), para passar a noite. Valeu a alguns a simpatia do casal que toma conta do albergue que os transportou na própria viatura. Outros tiveram que recorrer a táxis. Alguns dos nossos companheiros não chegaram a aparecer, pelo que pensamos que ficaram em qualquer outro albergue pelo caminho (penso que em Betanzos ou Abegondo).

Quanto ao jantar, este foi entregue no albergue, a pedido, por uma empresa da especialidade, que nos retemperou as forças com um caldo galego e, no meu caso, com um salmão grelhado.

Hora do descanso.

 

5º Dia - 1 de Setembro de 2010

De Bruma a Santiago de Compostela!

1Partimos com destino a Santiago de Compostela. Na altura da partida ouvia-se trovejar ao longe e a manhã cinzenta prometia chuva forte.1

Pouco tempo depois de sairmos do albergue, sempre acompanhados pelo som dos trovões e o brilho dos relâmpagos, começou a cair uma chuva forte. Abrigámo-nos debaixo de um telheiro e deixámos que a chuva diminuísse.

Continuámos depois o caminho passando vários peregrinos a pé, entre os quais os nossos amigos portugueses (grupo que teve que recolher no tal pavilhão de Mesón do Vento), que já tinham recuperado da etapa anterior.

O percurso decorreu sem grande dificuldade, apenas pontualmente algum pequeno troço mais íngreme, pelo que rolámos a boa velocidade em direcção à Catedral.

A 5 km's de Santiago parámos num bar para comer e beber qualquer coisa e não muito depois entrávamos na Praça do Obradoiro em frente à Catedral, aos 39 km's de viagem.

Fomos até à Oficina do Peregrino para carimbar as Credenciais e obter informações sobre o Caminho Muxia-Fisterra. A fila de peregrinos era grande pelo que demorámos algum tempo na espera.

Após recolhermos os carimbos necessários, dirigimo-nos ao Posto de Turismo situado a uns metros mais à frente, para obtermos mais informações e prosseguirmos a nossa peregrinação.

O restante relato está incluído no Caminho de Fisterra.